quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Massacre de Pinheirinho: A verdade não mora ao lado

"Se você fabrica miséria,
você e seus filhos serão
engolidos pelos miseráveis."
 (Wilson Aragão)

 O caso Pinheirinho é mais uma grande mancha, uma grande ferida impingida aos direitos humanos em nosso país, se você não é meritocráta, neoliberal ou fascista, deve estar indignado, certamente deve estar absorvendo em si a dor daquelas pessoas, se tudo lhe passa indiferentemente, e você considera que pobre é pobre porque quer, que moram em periferias por que não se esforçam, sinto muito dizer, mas você também esta empunhando os cassetetes e ajudando a puxar os gatilhos das armas dos opressores, num aparato militaresco e repressivo, que tem a única finalidade de defender a sublimidade do capital. Se você não se indigna, não reage, não pense que estará protegido, amanhã, por qualquer motivo que ponha em risco o capital, se você estiver no meio do caminho, será atropelado como aqueles moradores do Pinheirinho. É nesta hora que percebe-se por quais caminhos a democracia trilha, sim, uma democracia de faz de conta, que visa somente a representatividade pelo voto, e o poder absolutista. Enquanto alimentação, educação, moradia e saúde, somente para citar o mais essencial, jamais ocorrerá para todos, tudo isso acontece por causa do nosso silêncio e do comodismo que a representatividade oferece ao cidadão, que pode se opor, propor, buscar nova forma de ação, mas não faz nada disso. Se não somos ação, se não somos reação, não adianta reclamar as dores da coação.

 

sábado, 3 de setembro de 2011

Pensamento, uma amostra do clássico e do popular

Rousseau,Jean-Jacques, in Discurso Sobre a Origem da Desigualdade, 1753
"Se eu tivesse de escolher o lugar do meu nascimento, teria escolhido uma sociedade de grandeza limitada pela extensão das faculdades humanas, isto é, pela possibilidade de ser bem governada, e onde, bastando-se cada qual ao seu mister, ninguém fosse constrangido a atribuir a outros as funções de que estivesse encarregado; um Estado em que, todos os particulares se conhecendo entre si, nem as manobras obscuras do vício, nem a modéstia da virtude pudessem subtrair-se aos olhares e ao julgamento do público, e em que esse doce hábito de se ver e de se conhecer fizesse do amor da pátria o amor dos cidadãos, em vez do da terra."


Capim Guiné  A Historia Contada e Cantada (Raul Seixas/Wilson Aragão)


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Revista Artpoesia - Edição 94 Jul/Ago 2011


Movimento Cultural Artpoesia
 A Poesia Existe, Resiste e Insiste
Avançando no tempo e buscando uma marca histórica na Literatura Brasileira, o Movimento Cultural Artpoesia traz ao fiel leitor a edição nº 94 da nossa Revista Cultural, sempre com as seções preferidas e almejadas pelos que gostam de viver e absorver a aura literária que nossas páginas exalam.
Trazendo novamente a poesia romântico-modernista de Manuel Bandeira, mostrando toda a sensibilidade do poeta pernambucano, um dos artífices da Semana da Arte Moderna de 1922, bastante enfocada nesta edição.
Seguindo a mesma linha, nosso poetas contemporâneos estão a todo vapor, aliás, à toda Letra, com seus arroubos líricos ou com seus reclames sociais, continuam firmes tocando nosso movimento, levando ao Brasil, ao Mundo a velha forma de se fazer Literatura, que é na base do cooperativismo – sempre em busca de apoio, de patrocínio – coisa que nunca chega.
Mas vamos em frente. O importante é este elo entre o escritor, o colaborador e o leitor, fazendo a Poesia acontecer sempre, renovada a cada edição publicada. Isto porque ela Existe, Resiste, e Insiste!
Rev. 94 - Editorial – Carlos Alberto Barreto, poeta e escritor

“Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
Os nomes, embora mais resistentes do que a carne, rendem-se ao poder destruidor do tempo, como as lápides.” Manuel Bandeira
 

Mulheres
Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido...
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.

Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! Fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas...

És linda como uma história da carochinha...
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro atrás de casa e tinham cara de pau)

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Projeto Fala Escritor: 2 anos de atividades literárias

Cymar Gaivota, Valdeck Almeida de Jesus, Fau Ferreira, Renata Rimet, Carlos Souza, Pinho Sannasc e Leandro de Assis

No mês do centenário de nascimento de Jorge Amado o Fala Escritor aniversaria e homenageia o grande ícone da Literatura Universal.

Na edição especial de segundo aniversário Inaê e Luiz Miranda se apresentam. Vai ter lançamento de livro, recital poético e a voz melodiosa da musa baiana Iara Castro e violão, para o deleite da plateia.

O mês de agosto é mágico para o Projeto Fala Escritor. São dois anos promovendo a poesia, o livro e os escritores baianos. Muita água rolou, muitos poetas e poetisas participaram das apresentações e encantaram a plateia com a magia da palavra e das performances poéticas. Tudo aliado a boa música, palestras relativas ao mundo literário, lançamentos de livros e muita amizade. E por falar em aniversário, Jorge Amado completaria 99 anos em 10 de agosto de 2011. A edição do Fala Escritor homenageia o grande artista da palavra Jorge, sempre Jorge!

Desde o começo o Fala Escritor é sucesso, não só devido à grande demanda por espaços onde se possa expressar o pensamento poético, fazer intercâmbio de informações, declamar ou simplesmente ler os escritos tirados das gavetas. Outro fator importante para o crescimento do projeto é a união da equipe que coordena o Fala Escritor, bem como a presença maciça de poetas comprometidos com a literatura.

A parceria da Livraria Saraiva, cedendo gratuitamente o espaço e apoiando na divulgação, conta muitos pontos e dá credibilidade ao trabalho. Numa comunhão de esforços dos poetas, escritores, jornalistas, administradores, historiadores e filósofos nesta empreitada, quem ganha é a Bahia, pois é através de iniciativas singulares como esta que a arte ganha vida, a autoestima dos participantes se eleva e a poesia flui por todos os lados.

Além do merecido “parabéns pra você” à equipe, plateia e convidados, o Fala Escritor de aniversário traz: Iara Castro, parceira já consagrada na música baiana; O quadro “Quem é o Escritor (a)” com duas estrelas da poesia soteropolitana: Inaê, com apresentação de sua vida literária, poética e teatral e Luiz Miranda, amigo do projeto e assíduo frequentador, cujas poesias fazem suspirar até os menos sensíveis. Para completar, Terezinha Teixeira Santos lança o livro “As dores da seca”, romance que retrata nuances, hábitos e costumes do sertanejo, narrando a história de retirantes da seca de 1939.

O Projeto Fala Escritor começou com a iniciativa do historiador Leandro de Assis em parceria com os jornalistas Valdeck Almeida de Jesus e Carlos Souza, a blogueira Delirium, a filósofa Fau Ferreira, o sindicalista e cientista social Grigório Rocha e a administradora e estudante de letras Renata Rimet. No primeiro ano eles realizaram dez edições comuns do Fala Escritor e uma edição especial no Espaço Cultural da Câmara Municipal de Salvador, levaram o projeto ao Fórum Social Mundial Temático – Bahia, lançaram o livro Fala Escritor em Prosa e Poesia, e promoveram o lançamento de mais 21 livros de diversos autores, além de abrir espaço para poetas e poetisas recitarem seus poemas. Atualmente a equipe é composta por Carlos Souza, Cymar Gaivota, Fau Ferreira, Leandro de Assis, Pinho Sannasc, Renata Rimet e Valdeck Almeida de Jesus.

Serviço:
O que: Fala Escritor – Edição especial de segundo aniversário
Onde: Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi
Quando: Dia 13 de agosto (sábado) a partir das 18h
Entrada: Grátis
Informações: (71) 8805-4708 / 8831-2888 / 8122-7231

domingo, 31 de julho de 2011

João Falcão - Pessoa Histórica da Bahia


Não me falhando a memória, em 1994 fui ao lançamento do livro “Giocondo Dias – a vida de um revolucionário”, na Academia de Letras da Bahia. Lá, na qualidade de "intrujão tentando ser discreto", com meus jeans surrados, invadi um círculo onde estavam uns cinco senhores engravatados juntamente com os seus ternos... Puxei conversa com o autor, João Falcão, que não conhecia. Falei sobre a experiencia e as impressões que o livro “O Partido Comunista que eu conheci”, deixaram em mim. Lembro-me de ter dito que o livro deveria ser utilizado por estudantes, os mais jovens precisavam ser apresentados a uma Cidade do Salvador, uma Bahia mais romântica e repleta de vida.

Tudo isto sob um olhar sério e atento do militante escritor. Confesso que estava incomodado com o silêncio daquele senhor, que apenas havia perguntado o meu nome... Procurava uma forma de sair dali e partir para a degustação do vinho branco e sequilhos que povoavam o salão... Em algum momento disse-lhe que precisava adquirir um exemplar do livro em questão, vez que não havia concluído a leitura por tratar-se de um empréstimo, tendo que devolver ao dono. João Falcão ouvia-me sério, sem esboçar muito sentimento, então, educadamente pediu licença a todos, retirando-se.

Meio sem ter o que fazer naquele meio de gente desconhecida afastei-me do grupo. Minutos depois chega João Falcão com o seu Giocondo Dias, autografado, já com o meu nome. Estava numa pendura miserável, disse-lhe que não poderia pagar. - Não precisa, é presente, disse. Entregou-me um cartão e pediu-me que anotasse o meu telefone e endereço. Nos dias atuais, seria o meu e-mail, mas naqueles dias, eu não sabia direito de que tratava a internet ou correio eletrônico, creio que até hoje não saiba com clareza.

Neste dia, Jorge Amado também se fazia presente, mostrava um ar de cansaço, havia saído de um período de internação hospitalar, mantinha certo afastamento do grupo e permaneceu quieto e silencioso. Assim, o autor de Capitães da Areia modificava os jardins da ALB, sentado em uma cadeira posta de improviso para que pudesse respirar ar mais puro. Tive muita vontade de aproximar-me, puxar assunto, mas hesitei... Deveria tê-lo feito, teria registrado a imagem para a posteridade, mesmo assim estou satisfeito com o aceno que trocamos.
Voltando ao João Falcão, passados uns dois meses, chega em casa pelos correios, um exemplar autografado de “O Partido Comunista que eu conheci”. Lógico que fiquei feliz!... Hoje não tenho nenhum dos dois exemplares, que despachei em empréstimos. Um deles emprestei a uma irmã, o outro a um colega que estudava história, ambos como qualquer ser vivo, algumas vezes tomam destino incerto. Refiro-me aos livros e as pessoas.

João Falcão faleceu em 27/07/2011, aos 92 anos de idade.

O que posso dizer mais: Valeu a Pena! Valeu Tudo!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Livro: Carta ao Presidente - Divulgação


... Vivo neste país desde o século anterior, neste decorrer de tempo, muita coisa mudou a nossa volta, quando nasci o Homem estava pisando a Lua, deixando sua marca na poeira e...
... Ouviu-se muito que em nosso tempo, hoje, muitas doenças estariam extirpadas, estando os tratamentos médicos extremamente...


Deseja continuar esta leitura?

Adquira o livro "Carta ao Presidente - O que deseja o brasileiro no séc. XXI" organizado pelo jornalista Carlos Souza, com a minha participação.

Publicado pela Scortecci Editora – São Paulo, tem a apresentação do professor Germano Machado. A obra é composta por 22 escritores, sendo eles Ildásio Tavares, Antonio Barreto, Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal, Tássio Revelat, Luiz Carlos Santos Lopes, Leandro de Assis, Leandro Flores, Marilene Oliveira, Domingos Ailton, Caetano Barata, Altair Fonseca Ramos, Grigório Rocha, entre outros.

Na obra, os escritores, através de artigos, cartas, contos, crônicas e poesias, expõem suas idéias com relação aos problemas do Brasil e apontam soluções que poderiam ser adotadas com o intuito de melhorar a vida das pessoas. Os temas tratados são os mais diversos: educação, saúde, segurança pública, meio ambiente, corrupção, direito de voto, entre outros assuntos ligados às questões políticas e sociais.

Carta ao Presidente destina-se a todos os governantes: presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores. Enfim, a todo poder constituído dessa nação. Mas não para por aí. Além do objetivo principal que é mostrar o citado acima, tem o de provocar o interesse do povo para as questões políticas de seu país.

Destaque importante no livro é a diversidade dos temas abordados, sectários ou não, cada autor apresenta o seu perfil ideológico e uma noção própria de Brasil, podendo-se afirmar que todo o conjunto, é um grande abraço democrático.

O livro foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo - 2010, em Salvador na Biblioteca Pública dos Barris. Tem sido apresentado em diversos outros eventos literários pelo país.

Preço: R$ 20,00
Comprar ou se informar
(75) 9116 8620 (Tim)

Participe da 2ª Edição
Inscrições até 31/07/11
Informações: «««» Carlos Souza «»»» 
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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Independência e Ética

“O mal de quase todos nós é que
preferimos ser arruinados pelo
elogio a ser salvos pela crítica."
Norman Vincent
  

eterminado senador, top no twitter, perguntou o que as pessoas achavam de o mandato do vereador ser voluntário, todo tipo de opinião foi apresentada pelos que interagiam, porém, a maioria optou contra o voluntarismo. Um cidadão comentou que era muita hipocrisia, um senador com salário lesivo a sociedade, pago pelo povo brasileiro, tendo votado o aumento do próprio salário, fazer tal sugestão. Em resposta o senador disse que a pergunta não merecia ofensa, obtendo como contra resposta, a afirmativa de que a questão fora aberta em ambiente público. Ou seja, democraticamente ele deveria aceitar a opinião do internauta.

O tema é paradoxal, o debate termina por levar-nos sempre ao mesmo lugar. Concordo plenamente com o “tuiteiro”, caso o trabalho fosse voluntário, estaria o senador pulando de gabinetes, mandato a mandato? O próprio senador, apoiado por outros internautas, justificava que uma câmara municipal com pessoas voluntárias, funcionaria melhor, pois estariam lá, apenas indivíduos com real interesse em apoiar e atender as comunidades. Alguém ainda sugeriu, que tal medida deveria ser adotada em todo o país, para todos os níveis parlamentares.

Divagando um pouco mais, imaginem que alguns vereadores, quando se descobrem sem qualquer futuro político, começam a atirar francamente, utilizando a sua voz de denúncia e indignação, somente como ferramenta manipulativa. Manipulam o povo com a pele de cordeiro, ao mesmo tempo em que se expõem aos líderes locais. Com o objetivo único de serem cooptados e calados, cedendo apoio incondicional, em postura de cães de guarda. Alguns por míseros, outros por milionários favores. A ideologia é não sair do mandato de mãos abanando.

Outros poderiam ser promissores políticos de carreira, perdem a paciência corroída pela pressa e ganância, acabam por vender o intelecto e a postura de homem equilibrado, por fim enterram a pose de político ético, pela promessa de figurar em algum escalão maior. Nestes casos, só servem cargos de prestígio político, nada de atuar em escalões técnicos, pois não saberiam o que fazer, digamos então, vice-prefeito ou secretário de governo. Primeira-dama não, este posto é exclusivamente para esposa de prefeito.

Quando penso em voluntarismo, fico um tanto arrepiado, judas também foi voluntário. A maioria dos vereadores, acabam por obter ganhos muito maiores, no período de mandato do que se estivessem trabalhando em suas atividades profissionais, inclusive continuam a exercê-lás em paralelo.

Se, com tudo isto, aceitam “benefícios não-corporativos e bonificações extraoficiais”, para dar apoio velado a coronéis, imagino então se fossem voluntários, os cofres públicos seriam estourados a bombas, como fazem algumas quadrilhas.

Esta é a minha reflexão para o 2 de julho.
♫♫♫ Nasce o sol a 2 de julho... ♪♪♪ ...