domingo, 31 de julho de 2011

João Falcão - Pessoa Histórica da Bahia


Não me falhando a memória, em 1994 fui ao lançamento do livro “Giocondo Dias – a vida de um revolucionário”, na Academia de Letras da Bahia. Lá, na qualidade de "intrujão tentando ser discreto", com meus jeans surrados, invadi um círculo onde estavam uns cinco senhores engravatados juntamente com os seus ternos... Puxei conversa com o autor, João Falcão, que não conhecia. Falei sobre a experiencia e as impressões que o livro “O Partido Comunista que eu conheci”, deixaram em mim. Lembro-me de ter dito que o livro deveria ser utilizado por estudantes, os mais jovens precisavam ser apresentados a uma Cidade do Salvador, uma Bahia mais romântica e repleta de vida.

Tudo isto sob um olhar sério e atento do militante escritor. Confesso que estava incomodado com o silêncio daquele senhor, que apenas havia perguntado o meu nome... Procurava uma forma de sair dali e partir para a degustação do vinho branco e sequilhos que povoavam o salão... Em algum momento disse-lhe que precisava adquirir um exemplar do livro em questão, vez que não havia concluído a leitura por tratar-se de um empréstimo, tendo que devolver ao dono. João Falcão ouvia-me sério, sem esboçar muito sentimento, então, educadamente pediu licença a todos, retirando-se.

Meio sem ter o que fazer naquele meio de gente desconhecida afastei-me do grupo. Minutos depois chega João Falcão com o seu Giocondo Dias, autografado, já com o meu nome. Estava numa pendura miserável, disse-lhe que não poderia pagar. - Não precisa, é presente, disse. Entregou-me um cartão e pediu-me que anotasse o meu telefone e endereço. Nos dias atuais, seria o meu e-mail, mas naqueles dias, eu não sabia direito de que tratava a internet ou correio eletrônico, creio que até hoje não saiba com clareza.

Neste dia, Jorge Amado também se fazia presente, mostrava um ar de cansaço, havia saído de um período de internação hospitalar, mantinha certo afastamento do grupo e permaneceu quieto e silencioso. Assim, o autor de Capitães da Areia modificava os jardins da ALB, sentado em uma cadeira posta de improviso para que pudesse respirar ar mais puro. Tive muita vontade de aproximar-me, puxar assunto, mas hesitei... Deveria tê-lo feito, teria registrado a imagem para a posteridade, mesmo assim estou satisfeito com o aceno que trocamos.
Voltando ao João Falcão, passados uns dois meses, chega em casa pelos correios, um exemplar autografado de “O Partido Comunista que eu conheci”. Lógico que fiquei feliz!... Hoje não tenho nenhum dos dois exemplares, que despachei em empréstimos. Um deles emprestei a uma irmã, o outro a um colega que estudava história, ambos como qualquer ser vivo, algumas vezes tomam destino incerto. Refiro-me aos livros e as pessoas.

João Falcão faleceu em 27/07/2011, aos 92 anos de idade.

O que posso dizer mais: Valeu a Pena! Valeu Tudo!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Livro: Carta ao Presidente - Divulgação


... Vivo neste país desde o século anterior, neste decorrer de tempo, muita coisa mudou a nossa volta, quando nasci o Homem estava pisando a Lua, deixando sua marca na poeira e...
... Ouviu-se muito que em nosso tempo, hoje, muitas doenças estariam extirpadas, estando os tratamentos médicos extremamente...


Deseja continuar esta leitura?

Adquira o livro "Carta ao Presidente - O que deseja o brasileiro no séc. XXI" organizado pelo jornalista Carlos Souza, com a minha participação.

Publicado pela Scortecci Editora – São Paulo, tem a apresentação do professor Germano Machado. A obra é composta por 22 escritores, sendo eles Ildásio Tavares, Antonio Barreto, Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal, Tássio Revelat, Luiz Carlos Santos Lopes, Leandro de Assis, Leandro Flores, Marilene Oliveira, Domingos Ailton, Caetano Barata, Altair Fonseca Ramos, Grigório Rocha, entre outros.

Na obra, os escritores, através de artigos, cartas, contos, crônicas e poesias, expõem suas idéias com relação aos problemas do Brasil e apontam soluções que poderiam ser adotadas com o intuito de melhorar a vida das pessoas. Os temas tratados são os mais diversos: educação, saúde, segurança pública, meio ambiente, corrupção, direito de voto, entre outros assuntos ligados às questões políticas e sociais.

Carta ao Presidente destina-se a todos os governantes: presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores. Enfim, a todo poder constituído dessa nação. Mas não para por aí. Além do objetivo principal que é mostrar o citado acima, tem o de provocar o interesse do povo para as questões políticas de seu país.

Destaque importante no livro é a diversidade dos temas abordados, sectários ou não, cada autor apresenta o seu perfil ideológico e uma noção própria de Brasil, podendo-se afirmar que todo o conjunto, é um grande abraço democrático.

O livro foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo - 2010, em Salvador na Biblioteca Pública dos Barris. Tem sido apresentado em diversos outros eventos literários pelo país.

Preço: R$ 20,00
Comprar ou se informar
(75) 9116 8620 (Tim)

Participe da 2ª Edição
Inscrições até 31/07/11
Informações: «««» Carlos Souza «»»» 
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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Independência e Ética

“O mal de quase todos nós é que
preferimos ser arruinados pelo
elogio a ser salvos pela crítica."
Norman Vincent
  

eterminado senador, top no twitter, perguntou o que as pessoas achavam de o mandato do vereador ser voluntário, todo tipo de opinião foi apresentada pelos que interagiam, porém, a maioria optou contra o voluntarismo. Um cidadão comentou que era muita hipocrisia, um senador com salário lesivo a sociedade, pago pelo povo brasileiro, tendo votado o aumento do próprio salário, fazer tal sugestão. Em resposta o senador disse que a pergunta não merecia ofensa, obtendo como contra resposta, a afirmativa de que a questão fora aberta em ambiente público. Ou seja, democraticamente ele deveria aceitar a opinião do internauta.

O tema é paradoxal, o debate termina por levar-nos sempre ao mesmo lugar. Concordo plenamente com o “tuiteiro”, caso o trabalho fosse voluntário, estaria o senador pulando de gabinetes, mandato a mandato? O próprio senador, apoiado por outros internautas, justificava que uma câmara municipal com pessoas voluntárias, funcionaria melhor, pois estariam lá, apenas indivíduos com real interesse em apoiar e atender as comunidades. Alguém ainda sugeriu, que tal medida deveria ser adotada em todo o país, para todos os níveis parlamentares.

Divagando um pouco mais, imaginem que alguns vereadores, quando se descobrem sem qualquer futuro político, começam a atirar francamente, utilizando a sua voz de denúncia e indignação, somente como ferramenta manipulativa. Manipulam o povo com a pele de cordeiro, ao mesmo tempo em que se expõem aos líderes locais. Com o objetivo único de serem cooptados e calados, cedendo apoio incondicional, em postura de cães de guarda. Alguns por míseros, outros por milionários favores. A ideologia é não sair do mandato de mãos abanando.

Outros poderiam ser promissores políticos de carreira, perdem a paciência corroída pela pressa e ganância, acabam por vender o intelecto e a postura de homem equilibrado, por fim enterram a pose de político ético, pela promessa de figurar em algum escalão maior. Nestes casos, só servem cargos de prestígio político, nada de atuar em escalões técnicos, pois não saberiam o que fazer, digamos então, vice-prefeito ou secretário de governo. Primeira-dama não, este posto é exclusivamente para esposa de prefeito.

Quando penso em voluntarismo, fico um tanto arrepiado, judas também foi voluntário. A maioria dos vereadores, acabam por obter ganhos muito maiores, no período de mandato do que se estivessem trabalhando em suas atividades profissionais, inclusive continuam a exercê-lás em paralelo.

Se, com tudo isto, aceitam “benefícios não-corporativos e bonificações extraoficiais”, para dar apoio velado a coronéis, imagino então se fossem voluntários, os cofres públicos seriam estourados a bombas, como fazem algumas quadrilhas.

Esta é a minha reflexão para o 2 de julho.
♫♫♫ Nasce o sol a 2 de julho... ♪♪♪ ...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia dos Namorados - Poesias e Sentimentos


A  V o l t a
Volto sim
Claro que volto
Porque não
Com tantas promessas
Sinais de leveza
Coisas feitas sob jaqueiras
Até mesmo mangueiras

Volto sim
Talvez prá ficar
Porque não
Seguindo os caminhos
Sem jamais desviar
Do desejo secreto
Na flor da inspiração

Pronto a se revelar
Soltar o pólen
Em teu coração

S i m p a t i a
simpatia para dor de cotovelo
pare num barzinho
destes que lotam
não chegue nem perto
de locais com voz e violão
é muito intimista
o machucado só vai aumentar
gafieira é boa pedida
mas é preciso saber do riscado
você não esta em condição
de ser motivo de galhofas
corra para um pagode
ou rave mais descolada
finja que esta tudo bem
prefira ficar em pé
balançando o corpo
a mesa pode te deixar isolado
peça um bom drink
que não tenha uns trololós
pendurado na boca do copo
discrição é sem dúvidas
a melhor forma de se aparecer
se preferir ambientes mais soltos
vá para uma praça agitada
ou uma beira de praia
beba duas cervejas
coma uma poção de pititingas
espere, assedie sem atacar
evite ouvir nestes dias
a música: garçon
faça isso várias vezes em uma semana
beba caldo de carangueijo
a água do cozimento
você vai precisar
se não arrumar ninguém
você é mesmo careta
mude de bar
mude de cidade
mude de postura
ou procure um rezador.


V e r d a d e s  &  D e s a m o r e s

Se ainda posso ser eu 
Quem se foi
Quem perdeu.

No paço eu repasso
Boto os pés
Em novos passos.


domingo, 5 de junho de 2011

Falta a Luz - Uma visão sobre o meio ambiente

O Homem se colocou durante muito tempo no topo da pirâmide da evolução, na sua inteligência definiu haver Reinos – Animal, Vegetal, Mineral – por ser racional se intitulou Senhor Absoluto, defendeu o usufruto, o poder do capital, o que não pagou, tomou com a espada, o que não pôde tomar, destruiu... Disseminou as regras que criou e declarou que somente é possível viver se for possível ter.

 Falta a Luz
Órfã nação
Amor de feras
Excluídos
Elitismos.

Somos todos
Sem-terra
Sem-teto
Sem-tetas.

Sem grão
Sem pão
Desunião
Caem irmãos.

Somos a Terra
Sem sermos Ela
Somos da Terra
Que somos feitos.

Mãe, Mãe
Ensinai
A não negar-te
A proteger-te.

Perdoai-me
Perdoai-nos
Somos tão brutos
Mãe, Mãe...

Em toda criação
Natureza
Em toda fé
Deus.

Lançai uma luz
Vida sem mágoas
Homem perfeito
Sem lança no peito.

... Falta a Luz...
Este texto já foi publicado no Overmundo.
Também  pode ser visto em Terra, aquele abraço! 
Fotos: Almirante Águia

sábado, 28 de maio de 2011

Arte: "DIVERSOS OLHARES de César Cerqueira" em Itaberaba

César Cerqueira "As Lavadeiras" 
Apaixonado pelos valores culturais de sua região, o artista plático feirense César Cerqueira retrata os costumes do seu povo, a devoção religiosa, as festas profanas, a lida do homem na roça e os seus festejos, redescobrindo a fantástica visão de um nordeste apaixonante.
"Abstrato com Anéis de Aço"
Apreciar a obra de César Cerqueira constitui-se em uma inestímável oportunidade de conciliar o prazer estético da contemplação a um singular conhecimento de si e do mundo, um conhecimento que extrapola os limites da realidade para atingir, no abstrato de suas telas, as múltiplas faces e imagens que vão se construindo a cada novo olhar.

Em conversa com este blogueiro, Cesar Cerqueira disse que seus dons artísticos afloraram por volta dos oito anos de idade, quando expontaneamente começou a fazer pequenas esculturas entalhadas em tacos de madeira, estes eram pequenos retângulos que foram muito utilizados na forração de pisos até fins da década de 70, do século passado.
"Carro de Boi" 
Muito enfaticamente, nos informa que foi através da literatura nacional e mundial, que ocorreu o grande encontro e interação com o imaginário e o simbólico que toma forma e vida na sua arte. Num tom sereno e de agradecimento, cita dois grandes escritores brasileiros, Graciliano Ramos e o impagável Ariano Suassuna.

A Exposição - "DIVERSOS OLHARES de César Cerqueira", acontece no Espaço Cultural Donald Amorim, na Câmara Municipal de Vereadores de Itaberaba de 26 de maio a 08 de junho de 2011. A entrada é franca. 

Apresentação musical
Os presentes a inauguração do evento (26), foram agraciados também, com a apresentação do músico, cantor e compositor Dão de Abreu. Este moço, filho de Ibiquera, foi o primeiro âncora do programa "Especial da Manhã", na Rádio Rosário FM 104,9 - e esta preparando um novo CD para os amantes da boa música.
 Dão de Abreu
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Artpoesia no Fala Escritor 19a Edição (2)

Poetas, escritores e ativistas literários, José da Boa Morte e Carlos Alberto Barreto, estiveram na 19ª edição do Projeto Fala Escritor, onde contaram para um público atento, com muita poesia e reflexões, a caminhada de encontros, glórias e dificuldades, que fazem do Movimento Cultural Artpoesia, em seus 12 anos de "Existencia, Resistencia e Insistencia!" um grupo consolidado no ambiente cultural baiano, sendo reconhecido nacional e internacionalmente, como movimento literário de referencia na trajetória de autores iniciantes e outros a mui consagrados.
O Projeto Fala Escritor acontece mensalmente nas Livrarias Saraiva em dois grandes Shoppings de Salvador - BA - falaescritor@hotmail.com - Venha fazer parte desta festa!


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terça-feira, 17 de maio de 2011

Josué Ramiro no Fala Escritor 19a Edição

Sim, eu sei que faz algum tempo, também estava com saudades, então vamos degustar este saboroso aperitivo.



O escritor, poeta e recitalista Josué Ramiro Ramalho é homenageado pelo projeto Fala Escritor 19ª Edição, no quadro Quem é o Escritor? Onde o poeta fala sobre o seu trabalho e sobre os seus chapéus. O Projeto Fala Escritor acontece mensalmente nas Livrarias Saraiva em dois grandes Shoppings de Salvador - BA - falaescritor@hotmail.com - Venha fazer parte desta festa!

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Projeto Brasil Plural CETEP Itaberaba 2010



SlideShow com algumas fotos das apresentações de estudantes, artistas locais e convidados que fizeram parte do Projeto Brasil Plural, com o tema "Cultura Popular", ocorrido nos dias 26 e 27 de outubro de 2010, nas dependencias do CETEP, antigo Colégio Estadual de Itaberaba. O projeto agregou alunos, professores e comunidade, que montaram apresentações artitísticas e stands onde foi possível apreciar performances e exposições, representando a diversidade da cultura popular do Brasil. Foram contemplados entre outros temas: Contos Populares, Cultura Negra, Indígena, Cigana, Samba de Roda, Maculelê, Capoeira, Culinária Sertaneja, Culinária Regional e Alternativa e Medicina Cabocla, entre outras tantas. O evento foi um grande festival cultural, certamente despertou nos participantes uma visão mais focada para a cultura local, onde pode-se a partir daí, estabelecer metas para a manutenção histórica das tradições locais, sem que nos percamos nas amplitudes globais.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Preconceitos

Sim, estou sem tempo para postar, então encontrei este texto interessante sobre o preconceito e resolvi trazê-lo para cá, uma vez que é novembro e temas raciais entram em um tipo de órbita de discussões e debates, carregando em seu corpo e cauda temas frequentes sobre os mais diversos tipos de preconceitos e intolerâncias, quais somos algozes e vítimas. Quem nunca ridicularizou, inferiorizou, ou desqualificou alguém, que nos mostre o caminho das pedras.  Altair Ramos


Preconceito dói, cabra da peste!


Publicado em 05.11.2010, no JC Online Por Miguel Rios

Preconceito é difícil de sair da gente. Volta e meia, a gente se surpreende, se flagra, e até se orgulha, dizendo, pensando, compartilhando algum estigma contra o outro.

Uma nova vilã, daquelas malvadas ao extremo, que dissemina e atrai ódio, de nível igual ou pior que qualquer Odete Roitman ou Nazaré Tedesco, está na mídia. É aquela garota lá do Twitter que nos ofendeu, nós nordestinos, nos indignou mais uma vez, nos fez relembrar preconceitos que pareciam estar se esvaindo, que se mostram ainda vigorosos, que machucam mesmo quem finge não ligar, quem tenta se mostrar acima.

Outra vez, doeu. Outra vez, ele voltou. Aliás, nunca se foi. Só estava mais quieto, nestes tempos de maior patrulha, de menos tolerância com os intolerantes.

Preconceito é difícil de sair da gente. Volta e meia, a gente se surpreende, se flagra, e até se orgulha, dizendo, pensando, compartilhando algum estigma contra o outro.

Mas se é na nossa pele que arde aí nos enfurece. Não pode, não se aceita, é absurdo, é opressor, ultrapassado, injusto.

A pele dos nordestinos queimou. Estigmas e estereótipos queimam mesmo.

A pele de qualquer tuiteiro do Maranhão à Bahia ainda está, no mínimo, coçando. Tem aquele cara que posta dia após dia, insistente, resistente, mensagens contra a autora do ataque, sedento por não deixar barato.
"Como posso ser inferior?", pensa ele. "Sou inteligente, universitário, bonito, uso roupa boa, dentição completa, tenho laptop, carro, amigos no exterior, viajado, falo inglês, comecei no espanhol, já planejo meu MBA. Vou ter sucesso garantido! Como se pode dizer que sou inferior? Como se eu fosse um pobre qualquer, um mundiça desses, pipoca da vida, um beira-canal, que só serve para se apertar em ônibus, sujar a praia. Esse bando de assalariado farofa..."

E a roda do preconceito gira:
"Como posso ser farofa?", pensa um dos assalariados. "Ando de ônibus, moro em subúrbio, mas curto bandas legais, livros legais, filmes de arte. Tenho amigos descolados. Somos questionadores do status quo, dos padrões impostos pela sociedade de consumo. Tenho potencial. Farofa eu? Farofa e pipoca é essa negada ignorante, de gosto ruim, que curte pagode e axé, jeito marginal, enchendo o mundo com som alto de funk de CD pirata. Tenha dó!"

E gira...
"Sou negro sim, mas sou lindo! Curto o meu som e meu jeito moleque. Orgulho de raça, de gostar do que eu gosto, das raízes, de saber dançar melhor que branco. De morar onde moro. De me virar e arranjar algum para meu pai e minha mãe. Eles dois que me criaram com esforço e dignidade. Me fizeram um homem, homem mesmo. Se eu ainda fosse um desses veados safados podiam até falar. Aquilo é que é nojeira. Mas eu não tenho do que me envergonhar."

"Sexualidade não define caráter. O que eu faço na intimidade não é da conta de ninguém. Sou decente. Sou homem igual a qualquer outro. Ninguém se envergonha de estar ao meu lado. Sou másculo, não dou pinta, tenho um namorado sem trejeitos também. Não escandalizamos. Podemos frequentar qualquer ambiente. O problema são essas bichinhas afetadas, estes travestis que sujam a barra dos gays. Um horror."

Continua a girar:
"Se dou pinta é porque eu quero. Essa tropa enrustida de metidos a macho fala mal, mas faz as mesmas coisas que eu entre quatro paredes. E tem inveja do meu sucesso. Tenho jeans Diesel, perfumes Armani, óculos Roberto Cavalli. Até minhas sandálias de praia são de grife. Por isso, não me junto. Morram de inveja, bichas pobres, roupa de sulanca, classe D!"

E a roda vai girando, criando novos julgamentos, batendo neste e naquele, se aproveitando de ideias preconcebidas, crendices, rancores...

Você já teve um dia em que se assemelhou à vilã lá do Twitter, aquela babaca, estúpida, condenável, que te revoltou tanto quando jogou o ácido supercorrosivo do preconceito sobre seu orgulho? Você já destilou desprezo sobre alguém? Eu já.

Pense na fulana do Twitter, pense na queimadura, pense em como dói, pense em como cicatriza demorado.

Pense nela antes de carimbar, com raiva, agressão e afinco, loura de burra, rapaz rico de playboyzinho, negro de maloqueiro, gay de molestador devasso, gostosa de piranha, pobre de ignorante, sertanejo de atrasado, gente da capital de pedante.

Pense bem quando tua veia discriminatória, aquela que pulsa toda vez que vem o desejo de diminuir o outro pela ilusão de se auto fortalecer, saltar.
Clique na imagem para ampliar

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Revista Artpoesia 89 - Patativa do Assaré

A Revista Cultural Artpoesia, trás em sua edição nº 89, homenagem ao grande poeta cearense, Patativa do Assaré. A Revista é um projeto coletivo. Lançada no ano de 1999, onde participam autores baianos e de outras paragens. Alguns já reconhecidos, outros buscando o espaço merecido.


Abaixo, a cópia na íntegra de uma postagem sobre o Patativa do Assaré, publicada em 2007 no blog Mundo do Cordel:

PATATIVA DO ASSARÉ NÃO ERA ANALFABETO
Há alguns posts passados, mencionei aqui que o poeta Arievaldo Viana teria dito em entrevista que Patativa não era analfabeto. Hoje, trago trecho do livro CORDÉIS, de Patativa do Assaré, o qual é iniciado com um texto de Luiz Tavares Júnior – professor do Curso de Mestrado em Letras da Universidade Federal do Ceará – no qual o autor confirma essa afirmação de Arievaldo:
“Embora sua instrução formal tenha sido muito diminuta, seu contato com os livros foi constante e permanente, tendo convivido intensamente com a poesia de Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Castro Alves e a prosa de Coelho Neto, como afirma Luzanira Rego, a partir de uma visita à casa do poeta, ao se deparar com os livros desses escritores; e Rosemberg Cariry vai um pouco mais além, ao enunciar: ‘Patativa é homem que sabe ler, de muitas leituras e informações sobre o que acontece no mundo (...). Basta dizer que, mesmo quando Patativa era violeiro e encantava os sertões com o som de sua viola e a beleza de seus versos de repente, já estudava o tratado de versificação de Guimarães Passos e Olavo Bilac e lia Os Lusíadas’. Em face dessas afirmações e, se acrescentarmos que, de fato, estamos diante de uma pessoa de inteligência invulgar e espantosa memória, como sempre afirmam seus biógrafos, haveremos facilmente de compreender a grandiosidade de seu engenho e arte no manejo do verso e na criação de sua poesia, atestado por quantos se aproximam de sua obra, aqui, no Brasil, como no estrangeiro”.

Percebe-se, portanto, que Patativa agia deliberadamente quando escrevia na forma matuta presente em Aos Poetas Clássicos:
Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;

sábado, 9 de outubro de 2010

Criança tem o quê?

Criança tem direitos:
Ter infância,
Ser feliz...

Criança tem deveres:
Ter infância,
Ser feliz...

Criança é assim:
Inocência,
Felicidade...
Perguntei a três crianças
O que é ser criança?

Uma disse:
- Vida boa!

A outra:
- Brincar bastante!

O de dois anos:
- Pula, pula, pula...
Eu vi um papo, (1)
Um papainho, (2)
I um vuão. (3)

Legendas: (Somente para os adultos)
(1) sapo, (2) passarinho, (3) avião



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domingo, 12 de setembro de 2010

Receita de escândalo e poder

Há muito não confio em qualquer sistema de arquivamento, seja público ou privado. Este caso da receita é somente, mais um caso. Lembro-me bem, do caso do painel do senado, nada aconteceu, e o principal envolvido, mais tarde foi presidente do conselho de ética, certamente porque entendia do assunto com grande astúcia.

Vejamos algumas situações práticas, todos nós que estamos conectados na web, através de blogs e sites, ou fazemos compras a partir de uma lan house, já não temos sigilo algum, ou estamos muito mais vulneráveis que os não incluídos digitalmente. Se possuímos e utilizamos celulares ou cartão de crédito, piora mais ainda a situação.

Hoje em dia para se tirar a carteira de habilitação, é preciso que se faça um registro biométrico das impressões digitais, ou seja, em todo o processo de habilitação do condutor ou para a renovação da carteira, o indivíduo deixa uma trilha digital. Estão em jogo a mobilidade, a rastreabilidade, o direito de ir e vir, o livre arbítrio, os direitos indivíduais.

Em algumas cidades já esta sendo testado este processo para a identificação do eleitor na hora do voto. Como nunca acreditei no sistema eleitoral informatizado, com este processo biométrico, pior ainda. Para que se quebre de uma vez por todas a nossa individualidade, só nos resta descobrir que inseriram um nano chip em nosso corpo, numa campanha qualquer de vacinação.

Voltando as questões do sigilo da receita, é óbvio que  os principais responsáveis pela guarda dos dados, estejam se mostrando indiferentes,   para eles, trata-se apenas de pressão eleitoreira. Nada mais importa, além de se promoverem na grande escalada gerada pela fome de poder. Particularmente, esta coisa tem cheiro de armação dos próprios denunciantes, consigo ler isto quase que nitidamente nas entrelinhas. Caso eu esteja enganado, após a apuração dos fatos, ponto para quem discorda.

O correto é que os fatos sejam apurados com a profundidade necessária, buscando-se os mandantes deste crime de invasão da vida alheia. Por outro lado fica evidente que os sinônimos para estado - poder e controle - acabam por se manterem. Quer dizer, quem comandou este esquema, ou é estado, ou pretende ser. Resumindo, não valem um punhado de farinha fofa.

Não devemos ficar assustados, se chegarmos a suspeitar que a receita federal seja um dops, sem armas de fogo; mas quem não deve não teme, mesmo que pareça impossível, da forma como as coisas andam, da noite para o dia, o meu patrimônio pode tornar-se gigantesco, pois se é possível invadir, é fácil também a manipulação dos dados.

Pior ainda, é o cidadão comum e assalariado ser convocado dentro da malha fina, para prestar contas sobre valores recebidos ao ter vendido alguns quilos de papel e algumas garrafas velhas para a reciclagem, sem ter declarado tal fonte de renda. Ou então, porque não deu baixa no registro de alguns pares de meias e cuecas que foram descartadas ao lixo por estarem bastante puídas.

O escândalo é bastante grosseiro, além de ser um atentado a soberania individual. Para este ponto também faço uma observação - Se fossemos verdadeiramente "indivíduos constitucionais", não haveria a necessidade de o estado possuir o poder que tem; infelizmente a democracia, como as religiões nos fazem reféns de poderes invisíveis.

Para mim, e para a grande maioria do povo, esta quebra de sigilo não tem qualquer importância, lógico é um desrespeito social e político, além de ser um sinistro na credibilidade moribunda do cidadão; coerentíssimo, seria o estado dar o exemplo do rigor legal. Porém os principais atingidos são os próprios envolvidos. Isto não passa de urina de cachorro tentando demarcar território.
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domingo, 5 de setembro de 2010

Os mágicos e as ilusões

Estive consultando o dicionário para verificar os significados das palavras “ilusão” e “mágico”, após alguma reflexão juntando as duas palavras, compreendi que a ilusão é a arte dos mágicos, pois estes (os mágicos) desenvolvem através de estudos e técnicas, as habilidades necessárias para conduzir um público à distração e euforia, gerando daí, a crença individual e o delírio coletivo, transformando em fatos e verdades, as inverdades e salamaleques apresentados em um palco circense ou na tela da tv.

Somente para citar alguns nomes mais conhecidos, temos: O Mestre Roldine, que escapava de correntes até em baixo da água, David Cooperfild e, Mister M, que já fizeram desaparecer avião e até navio.

Continuando a refletir, agreguei estes fatos à conjuntura política atual; fiquei espantado ao perceber que o mesmo tipo de arte com as suas técnicas, são utilizadas para se fazer campanha política e eleitoral. – Não acredito!! Gritei comigo mesmo. - Meu cérebro não aguenta este tipo de constatação. Não acredito...

São vários os mágicos em muitas categorias, uns mais treinados outros que mal conseguem esconder uma boa carta na manga, porém todos tentam com muito esmero, criar as ilusões e euforias necessárias para que os aplausos e as crenças do público do circo eleitoral, os conduzam para a glória, para o estrelato de quatro anos ou mais, quero dizer, mandato.

Devido o calor, a fome, o cansaço e a sede, o peregrino no deserto, acaba por criar imagens de paraísos que são denominados de “miragem”, e acabam em morte por inanição, muitas vezes, sem descobrir que as suas esperanças não passavam de fantasiosas criações da própria imaginação.

Estejam atentos para diferenciar o que é ilusão, miragem ou fantasia, pois o calor da campanha pode esgotar os teus sentidos, a tua fome, o cansaço e a sede poderão ser recompensados por anos de penitência e, até mesmo com a morte precoce das tuas capacidades individuais, devido a desesperança.

Quem se utiliza da verdade, não vai à tua rua ou à tua porta com palavras elogiosas e promessas vãs, não precisam dizer que são bons ou melhores, não pagam para que outros façam isto, não sentem a necessidade de fazer lavagem cerebral por meio de paródias de músicas populares ou camisas coloridas que fervilham pelas cidades, criando um verdadeiro carnaval sem blocos ou escolas de samba; estão tentando nos hipnotizar, e estão conseguindo...

Fiquem atentos, alguns carroceiros colocam uma cenoura na frente do burro para que ele ande mais rápido, ao fim da viagem, comem a cenoura e dão palha seca ao animal.

Penso que Moliere, Maquiavel e Machado de Assis, existindo hoje, jogariam suas obras no lixo, pois o que escreveram anos atrás, seria considerado como rascunho de colegial, devido à evolução do mau-caratismo gerado pela fome de poder e das técnicas de enganação que se ampliam e constituem “lei branca” democraticamente vigente.

Cuidado!!!!

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