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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Projeto Fala Escritor: 2 anos de atividades literárias

Cymar Gaivota, Valdeck Almeida de Jesus, Fau Ferreira, Renata Rimet, Carlos Souza, Pinho Sannasc e Leandro de Assis

No mês do centenário de nascimento de Jorge Amado o Fala Escritor aniversaria e homenageia o grande ícone da Literatura Universal.

Na edição especial de segundo aniversário Inaê e Luiz Miranda se apresentam. Vai ter lançamento de livro, recital poético e a voz melodiosa da musa baiana Iara Castro e violão, para o deleite da plateia.

O mês de agosto é mágico para o Projeto Fala Escritor. São dois anos promovendo a poesia, o livro e os escritores baianos. Muita água rolou, muitos poetas e poetisas participaram das apresentações e encantaram a plateia com a magia da palavra e das performances poéticas. Tudo aliado a boa música, palestras relativas ao mundo literário, lançamentos de livros e muita amizade. E por falar em aniversário, Jorge Amado completaria 99 anos em 10 de agosto de 2011. A edição do Fala Escritor homenageia o grande artista da palavra Jorge, sempre Jorge!

Desde o começo o Fala Escritor é sucesso, não só devido à grande demanda por espaços onde se possa expressar o pensamento poético, fazer intercâmbio de informações, declamar ou simplesmente ler os escritos tirados das gavetas. Outro fator importante para o crescimento do projeto é a união da equipe que coordena o Fala Escritor, bem como a presença maciça de poetas comprometidos com a literatura.

A parceria da Livraria Saraiva, cedendo gratuitamente o espaço e apoiando na divulgação, conta muitos pontos e dá credibilidade ao trabalho. Numa comunhão de esforços dos poetas, escritores, jornalistas, administradores, historiadores e filósofos nesta empreitada, quem ganha é a Bahia, pois é através de iniciativas singulares como esta que a arte ganha vida, a autoestima dos participantes se eleva e a poesia flui por todos os lados.

Além do merecido “parabéns pra você” à equipe, plateia e convidados, o Fala Escritor de aniversário traz: Iara Castro, parceira já consagrada na música baiana; O quadro “Quem é o Escritor (a)” com duas estrelas da poesia soteropolitana: Inaê, com apresentação de sua vida literária, poética e teatral e Luiz Miranda, amigo do projeto e assíduo frequentador, cujas poesias fazem suspirar até os menos sensíveis. Para completar, Terezinha Teixeira Santos lança o livro “As dores da seca”, romance que retrata nuances, hábitos e costumes do sertanejo, narrando a história de retirantes da seca de 1939.

O Projeto Fala Escritor começou com a iniciativa do historiador Leandro de Assis em parceria com os jornalistas Valdeck Almeida de Jesus e Carlos Souza, a blogueira Delirium, a filósofa Fau Ferreira, o sindicalista e cientista social Grigório Rocha e a administradora e estudante de letras Renata Rimet. No primeiro ano eles realizaram dez edições comuns do Fala Escritor e uma edição especial no Espaço Cultural da Câmara Municipal de Salvador, levaram o projeto ao Fórum Social Mundial Temático – Bahia, lançaram o livro Fala Escritor em Prosa e Poesia, e promoveram o lançamento de mais 21 livros de diversos autores, além de abrir espaço para poetas e poetisas recitarem seus poemas. Atualmente a equipe é composta por Carlos Souza, Cymar Gaivota, Fau Ferreira, Leandro de Assis, Pinho Sannasc, Renata Rimet e Valdeck Almeida de Jesus.

Serviço:
O que: Fala Escritor – Edição especial de segundo aniversário
Onde: Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi
Quando: Dia 13 de agosto (sábado) a partir das 18h
Entrada: Grátis
Informações: (71) 8805-4708 / 8831-2888 / 8122-7231

domingo, 31 de julho de 2011

João Falcão - Pessoa Histórica da Bahia


Não me falhando a memória, em 1994 fui ao lançamento do livro “Giocondo Dias – a vida de um revolucionário”, na Academia de Letras da Bahia. Lá, na qualidade de "intrujão tentando ser discreto", com meus jeans surrados, invadi um círculo onde estavam uns cinco senhores engravatados juntamente com os seus ternos... Puxei conversa com o autor, João Falcão, que não conhecia. Falei sobre a experiencia e as impressões que o livro “O Partido Comunista que eu conheci”, deixaram em mim. Lembro-me de ter dito que o livro deveria ser utilizado por estudantes, os mais jovens precisavam ser apresentados a uma Cidade do Salvador, uma Bahia mais romântica e repleta de vida.

Tudo isto sob um olhar sério e atento do militante escritor. Confesso que estava incomodado com o silêncio daquele senhor, que apenas havia perguntado o meu nome... Procurava uma forma de sair dali e partir para a degustação do vinho branco e sequilhos que povoavam o salão... Em algum momento disse-lhe que precisava adquirir um exemplar do livro em questão, vez que não havia concluído a leitura por tratar-se de um empréstimo, tendo que devolver ao dono. João Falcão ouvia-me sério, sem esboçar muito sentimento, então, educadamente pediu licença a todos, retirando-se.

Meio sem ter o que fazer naquele meio de gente desconhecida afastei-me do grupo. Minutos depois chega João Falcão com o seu Giocondo Dias, autografado, já com o meu nome. Estava numa pendura miserável, disse-lhe que não poderia pagar. - Não precisa, é presente, disse. Entregou-me um cartão e pediu-me que anotasse o meu telefone e endereço. Nos dias atuais, seria o meu e-mail, mas naqueles dias, eu não sabia direito de que tratava a internet ou correio eletrônico, creio que até hoje não saiba com clareza.

Neste dia, Jorge Amado também se fazia presente, mostrava um ar de cansaço, havia saído de um período de internação hospitalar, mantinha certo afastamento do grupo e permaneceu quieto e silencioso. Assim, o autor de Capitães da Areia modificava os jardins da ALB, sentado em uma cadeira posta de improviso para que pudesse respirar ar mais puro. Tive muita vontade de aproximar-me, puxar assunto, mas hesitei... Deveria tê-lo feito, teria registrado a imagem para a posteridade, mesmo assim estou satisfeito com o aceno que trocamos.
Voltando ao João Falcão, passados uns dois meses, chega em casa pelos correios, um exemplar autografado de “O Partido Comunista que eu conheci”. Lógico que fiquei feliz!... Hoje não tenho nenhum dos dois exemplares, que despachei em empréstimos. Um deles emprestei a uma irmã, o outro a um colega que estudava história, ambos como qualquer ser vivo, algumas vezes tomam destino incerto. Refiro-me aos livros e as pessoas.

João Falcão faleceu em 27/07/2011, aos 92 anos de idade.

O que posso dizer mais: Valeu a Pena! Valeu Tudo!
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