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domingo, 26 de fevereiro de 2017

O Circo Chegou



O circo chegou, o ruído estridente saía de um alto-falante zuadento que tocava repetidamente aquele clássico: ta-na-na-na-na-na-na, ta-na-na-na-na-na-na, carregado por um DKV caindo aos pedaços, com aquele barulho infernal saindo do motor, tipo ferro batendo e explosões fora de tempo, coisa que somente quem já viajou em um carro destes ou viu algum em circulação pode entender. O carro velho estava todo recoberto por enormes balões coloridos e listrados, com uns palhaços dentro e um sujeito muito magro de maiô em cima do capô, visão suficientemente necessária para desobrigar muita gente de querer ir ao espetáculo.
Estávamos ali em frente ao supermercado Nishida sentados à toa, sem fazer nada, a não ser criar histórias sobre as pessoas que passavam, éramos bons nisso, hoje penso que eu era bem melhor que os outros dois, pois sempre se riam muito ou ficavam apavorados quando eu traçava os perfis dos transeuntes - estivesse na Bahia, certamente ouviria algo do tipo, Deus é mais - inclusive detalhando situações da vida pessoal e do ambiente doméstico do passante desconhecido que ignorava a nossa existência. Lógico, os outros também faziam graça, mas não entravam em detalhes, digamos assim... mais íntimos. De qualquer forma, nos divertíamos a baixo custo explorando a aparência dos alheios.
Quebrando a monotonia, um alarido vinha da rua lateral ao supermercado, engarrafando o trânsito sem ninguém... continue lendo

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A Verdade não tem corpo


A Verdade não tem corpo
A Esperança não tem olhos
Altair Ramos

Espantam-se com as verdades
Que surgem gasosas e lentas
Em muitos casos, fogo fátuo
A sina da verdade, só transparecer
Há de ser num espectro rápido
Pois os olhos que hão de ver
Viram logo pro outro lado.

Viver de falsas esperanças
Uma hipérbole pleonástica*
Quimeras que impomos ver
Pois a esperança não tem olhos
Sem baliza, sem guias para a mira
Quando a verdade vem à tona
Resfolega, foge, tropeça e morre.

Verdade encantadora não existe
Só é conveniente sendo necessária
Porém, desnecessária se inconveniente.

A esperança, riso da boca triste
Placebo voraz em tarja preta
Protegem as rugas de toda a gente.
.
.
*Talvez, um pleonasmo hiperbólico


domingo, 26 de outubro de 2014

UM DIA APÓS - Eleições 2014




UM DIA APÓS
Altair Ramos
Segunda-feira é bem certo que acordarei tendo a certeza que será um dia normal de vinte e quatro horas, ainda que nublado, o Sol não deixará de promover as suas explosões (por enquanto) além das nuvens e de muitas outras camadas gasosas, emitindo a sua poderosa energia, perceberemos que nada mudou. A minha rua não mudou de lugar, assim como não foi melhorado o sistema de esgotamento sanitário, nenhum idoso passou a ser jovem. O Brasil continuará sendo o mesmo país de sempre, ainda na América do Sul. Nenhuma metamorfose além do que o imaginário nos impõe.
A Lei da Gravidade não será revogada, continuando a reger o movimento dos planetas, criacionistas seguirão os mesmos princípios de sempre, evolucionistas estarão refutando o design e a perfeição dos olhos, um ou outro mudará a sua crença, mas isso é pessoal, particular de cada um. As bases da física estarão sempre a procura de um Einstein, a razão em busca de um Carl Seagan, e os Papas continuarão a reorganizar as suas igrejas, sem qualquer nova revelação ad infinitum. Enquanto o universo continua a expandir-se
Não há previsão para queda de meteoros, explosões vulcânicas ou terremotos, também nada de novo sobre algum arrebatamento celestial. O homem não terá melhorado muito ou nada, a nossa condição humana será a mesma de sempre, as necessidades, as fraquezas e a percepção do mundo, podem até sofrer um leve abalo, mas estarão tão iguais quanto ao dia anterior.
Continuaremos a ser um país de extremos e radicalismos, não teremos nos tornado um país ultra liberal direitista ou comunista, ambos conservadores. Fundamentalistas como von Mises e Karl Marx continuarão os seus debates e imposições enquanto estabelecem dialéticas “Sobre a Origem da Desigualdade”. A participação social e política de nobres e plebeus terá  retornado ao seu estado de encolhimento e inércia, para que aflorem por algum “start” midiático ou no próximo pleito eleitoral.
Os sentimentos da ira social serão relegados a poucos atores, os demais estarão ocupados em produzir e consumir, muitos outros, em sobreviver, todos repetindo superficiais frases de efeito. As lutas como sempre, serão travadas com o ego inflado do poder, por parte dos vencedores. Com os nervos a flor da pele, pelos ganhadores do segundo lugar. Estes precisarão de tempo para reorganização, para esquecer. Como crianças, darão de ombros.
Uma felicidade irônica tomará conta das ruas, juntamente com a tristeza e uma perturbação quase histriônica dos que investiram sem chegar. As batalhas não estarão encerradas, ambos os lados continuarão sendo alimentados com o pão amargo da duvida e da incerteza coberto com grãozinhos de açúcar. As estratégias de um e de outro não deixarão de ter fundamentos no submundo dos raciocínios viscerais, antes de atingir a opinião publica.
A felicidade, feliz cidade, liberdade, igualdade, direitos, serão sempre metas ilusórias. O poder é uma necessidade que quase ninguém supera. As massas continuarão sendo escravizadas, muitos mudarão de lado, trocarão de lugar, mas não perderemos a essência da massa que somos: crentes, inseguros e manipuláveis.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Livro: Carta ao Presidente - Divulgação


... Vivo neste país desde o século anterior, neste decorrer de tempo, muita coisa mudou a nossa volta, quando nasci o Homem estava pisando a Lua, deixando sua marca na poeira e...
... Ouviu-se muito que em nosso tempo, hoje, muitas doenças estariam extirpadas, estando os tratamentos médicos extremamente...


Deseja continuar esta leitura?

Adquira o livro "Carta ao Presidente - O que deseja o brasileiro no séc. XXI" organizado pelo jornalista Carlos Souza, com a minha participação.

Publicado pela Scortecci Editora – São Paulo, tem a apresentação do professor Germano Machado. A obra é composta por 22 escritores, sendo eles Ildásio Tavares, Antonio Barreto, Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal, Tássio Revelat, Luiz Carlos Santos Lopes, Leandro de Assis, Leandro Flores, Marilene Oliveira, Domingos Ailton, Caetano Barata, Altair Fonseca Ramos, Grigório Rocha, entre outros.

Na obra, os escritores, através de artigos, cartas, contos, crônicas e poesias, expõem suas idéias com relação aos problemas do Brasil e apontam soluções que poderiam ser adotadas com o intuito de melhorar a vida das pessoas. Os temas tratados são os mais diversos: educação, saúde, segurança pública, meio ambiente, corrupção, direito de voto, entre outros assuntos ligados às questões políticas e sociais.

Carta ao Presidente destina-se a todos os governantes: presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores. Enfim, a todo poder constituído dessa nação. Mas não para por aí. Além do objetivo principal que é mostrar o citado acima, tem o de provocar o interesse do povo para as questões políticas de seu país.

Destaque importante no livro é a diversidade dos temas abordados, sectários ou não, cada autor apresenta o seu perfil ideológico e uma noção própria de Brasil, podendo-se afirmar que todo o conjunto, é um grande abraço democrático.

O livro foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo - 2010, em Salvador na Biblioteca Pública dos Barris. Tem sido apresentado em diversos outros eventos literários pelo país.

Preço: R$ 20,00
Comprar ou se informar
(75) 9116 8620 (Tim)

Participe da 2ª Edição
Inscrições até 31/07/11
Informações: «««» Carlos Souza «»»» 
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sábado, 7 de agosto de 2010

O Pai - Vídeo


O Pai
Altair Ramos

Olhar o mundo em volta
E temer pelo que virá
Ver as crianças brincando
Gritando, sorrindo, pulando
Chorando, impondo, esperneando

Acreditar, sim é possível
E todo o temor dissipar
Se estou aqui, se outros estão
Porque então se assustar

Logo nas primeiras horas
Aquela coisinha pequena
Meio inchada, enrugada
Nossa, é tão esquisito
Ao mesmo tempo é lindo

É preciso trabalhar mais
O carro agora é pequeno
O quarto que temos não dá
Esta pequena cria, logo crescerá

E cresce, numa noite estamos acordados
Devido as cólicas e fraldas molhadas
Ou a mamadeira que ficou atrasada
Noutro dia, já estamos ensinando
Coisas que pouco sabemos
Falar, andar, ler, escrever, soltar pipas
Fazer pipi e enxugar
Fazer pipi e balançar

Nada encerra a emoção
Perceber a cada dia, a emancipação
Trazendo novos temores
Que chegam com a individualidade
Com a força da idade

Egoísmo e medo, de perder
Novas coisas a entender
Sentindo-se ultrapassado
Aprendendo e ensinando, sempre

Lembrar-se das mãozinhas miúdas
Daquela pele macia
Querendo de volta noites perdidas
Trocando fétidas fraldas
Sentindo o cheiro de leite azedo
Na única camisa boa, passada

Descobrir-se sem identidade
Porque agora, não tens mais o teu nome
Porque agora, tu és o pai do fulano
Ninguém mais te conhece
Embora todos saibam quem és
Teu nome agora
Simplesmente é: Pai

Ewerton Matos é locutor da Rádio CBN Salvador FM 100.7
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Carta ao Presidente na Bienal do Livro de São Paulo

Escritores baianos levam para o maior evento literário do país,
livro direcionado aos políticos do Brasil

Em ano de eleições nada melhor do escrever para os políticos mostrando quais as reais necessidades e desejos dos eleitores. Pensando nisso, o jornalista Carlos Souza organizou o Livro Carta ao Presidente – O que deseja o brasileiro no século XXI, que será lançando no dia 21 de agosto, a partir das 16h30, na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece entre os dias 12 a 22 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, no horário das 10h às 22h (Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - São Paulo – SP).

O livro sairá pela Scortecci Editora – São Paulo e, tem a apresentação do professor Germano Machado. Em setembro o livro será lançando em Salvador, com data e local ainda a ser confirmado. Na oportunidade estará presente a maioria dos autores, que falarão sobre seus textos políticos. A obra é composta por vários escritores, entre eles nomes como: Ildásio Tavares, Antonio Barreto, Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal, Tássio Revelat, Luiz Carlos Santos Lopes, Leandro de Assis, Leandro Flores, Antônio Santana Marilene Oliveira, Domingos Ailton, Caetano Barata, Altair Fonseca Ramos, Grigório Rocha, Debora Galvani, Gricélio Santos, Marcelo de Oliveira Souza, Márcia Menezes Sales, Nilmário Pereira dos Santos Quintela, Rita Maria da Silva Oliveira, Rosana Santos Silva, entre outros.

Carta ao Presidente destina-se a todos os governantes do povo. “Presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores, enfim, a todo o poder constituído dessa nação. Mas não para por ai. Além do objetivo citado acima, tem o de provocar o interesse do povo para as questões políticas de seu país”, informa Carlos Souza, o organizador.

Na apresentação, o prof. Germano Machado fala que a principal mensagem do livro é a multiplicidade de opinião sobre o atual Presidente da República sem nenhuma pretensiosidade, sem nenhum embate político partidário. “A importância do Livro Carta ao Presidente é a singularidade de escritores iniciais, e outros mais avançados quererem levantar uma visão sobre o atual Presidente do Brasil. E, daí a importância desse texto que não é pretensioso, em ouvindo vários escritores já apresentar uma visão de julgamento, que não é condenatória nem partidária”.

Para a escritora Morgana Gazel que assina o texto da contra capa, “quando brasileiros exercitam a cidadania num livro como Carta ao Presidente, apontando contradições que eles observam ou sentem na própria pele e para as quais reclamam solução, a leitura deste livro faz-se tão necessária e oportuna que, ouso afirmar, deve ser considerada imprescindível nas escolas do Brasil”.

O organizador - Carlos Souza é jornalista e profissional de marketing. Tem atuado na área de assessoria de imprensa e marketing pessoal para escritores, instituições culturais e artistas de modo geral. Também é radialista, professor e palestrante. Autor do livro Revolução Pessoal – Seu Próximo Desafio, no qual demonstra que é possível enfrentar desafios de modo a alcançar as metas pessoais. Além disso, participa de dez coletâneas. É verbete do Dicionário de Autores Baianos da Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia e da Enciclopédia da Literatura Brasileira Contemporânea, Volume XIV, 2009, Rio de Janeiro/RJ, organizada por Reis de Souza.

Tem artigos publicados nos jornais: A Tarde, Correio da Bahia, Tribuna da Bahia, Bahia Notícias, Tribuna Evangélica, Primeira Página, e a Voz do Cepa. Membro da Academia de Cultura da Bahia e colaborador do Círculo de Estudo, Pensamento e Ação (CEPA), da Fundação Òmnira e do Projeto Fala Escritor.

Informações: 71 8122-7231

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