segunda-feira, 25 de agosto de 2014

WEB 2.0 – II (Fakes)

Segunda impressão - Série Web 2.0


— Outro dia falávamos de internet e redes sociais, ai fiquei pensando umas coisas...
Será que todo mundo que coloca aquelas tags tipo: #banho, #academia, #caminhada,
#estudar, até #banhoNogato, #tcc, #énois, #partiu, #fui. Você acha que esta galera estava realmente indo fazer tudo isso, ou estavam todos mentindo, sem coragem de dizer que iriam assistir novelas ou algum domingão em qualquer canal de tv?
— Rapaz, você é incrédulo mesmo, né? Da um votinho de confiança para o povo...
— Qual é, não posso mais questionar? Além do mais, estou generalizando sem acusar ninguém diretamente... Parece até que a carapuça serviu!
— Tá bom! Tá bom! Para desfazer o mal entendido, lembrei-me de um sujeito que ao chegar o fim de semana, se não tivesse grana pra sair, publicava o seguinte: “Galera estarei em off todo o final de semana. Para vocês que ficam, bom FDS! Até segunda! #viagem #família”. O doido ficava trancado dentro de casa, sem botar a cara na rua.
— Mentira, esse negócio?
— Mentira nada! Imagine só... Ele mesmo me contou que ficava só observando tudo o que era postagem dos outros, enquanto se roia de vontade de curtir, comentar ou compartilhar, mas não podia. Então ele anotava o que era mais importante, no domingo a noite começava a maratona de sair curtindo e comentando o atrasado.
— Tá certo. Deve ter um monte de gente sem noção ficando doente por causa das redes sociais...
— Problema dos mais sérios... Deixa prá lá, me lembrei de um caso...
— Pronto, agora o senhor certinho vai esculhambar com outra pessoa!
— Eu mesmo não, cada qual que esculhambe a própria vida com os direitos que puder!
— Momento filosófico, vou anotar isso ai que você falou e...
— Larga de ser besta, deixa eu contar o caso, você conhece a mina... A figura fez um selfie caprichado, toda produzida, pagando decote e um quarto da bunda, com direito a visão da barriguinha e um beiço bem vermelhinho. Uma loucura! Na outra mão tinha uma garrafa de vodka e uma de ice. Tava lá a foto maravilhosa com as seguintes tags: #SABADÃO, #BALADA, #TOINDOMIGAS. Eu estava bem aqui na barraca do Zeca olhando tudo pelo meu tablet, quando em cerca de cinco minutos, a sujeita chega de chinelão, com um bermudão de calça velha e uma camiseta do Nirvana, os cabelos presos de qualquer jeito, sem nenhuma maquiagem.
— Vai falar quem é?
— Não!
— Então conta logo a bagaça...
— Bem, a mina pediu um especial da casa com suco promocional, falou pro Zeca que só pagaria na terça-feira e sentou-se ali, sozinha...
— E aí, falou com ela? Esfregou o status dela na cara? Pegou?
— Pera lá! Fiquei com muita pena... A Angélica a chamou pra sentar com a gente e tomar uma cervejinha...
— Então...
— Ela disse que não bebia.
— É foda!
.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

WEB 2.0 – I (Redes Sociais)

Série de quatro diálogos apresentando algumas impressões de problemas relacionados a internet e a conexão de pessoas.

— Celular é uma merda! Ora tem sinal, ora não tem...
— Pior é o meu, cheio de bagulhos que não sei nem para que servem!
— E, se vacilar, comem a bateria toda, te deixa na mão...
— Bateria uma porra! Os aplicativos e a internet consomem os créditos como se fossem ácidos.
— Putz, é verdade!
— Cara, eu pensava que o Orkut só tinha porcaria...
— Ainda existe este troço?
— Parece que sim! Não sei! Mas inventaram o Whatsapp...
— Nem fala... Já desinstalei o meu. Quem quiser passar mensagem, que mande um torpedo. Claro, pode usar o inbox do Face... Este também tava ficando meio ruim, a galera postava aquelas fotos de lasanha com aqueles tomates deformados, churrasco queimado, prato de feijoada todo remexido... Caraca, eu tava até engordando com tanta porcaria!
— Quá, quá, quá! Foto de comida é pouco, veja está: O sujeito vai para uma festa, tira umas trezentas fotos, com garrafas de bebidas vazias só coisa top. Outras com a mão na latinha, sentindo-se o fodão do vazio. Abraça umas minas caça-prêmios, também de latinha nas mãos, que não estão nem aí pra ele. Quando chega em casa descarrega tudo de vez, 300 fotos de significado nenhum, na própria página, sendo que somente umas cinco imagens valem a pena!
— Não vou nem falar daquelas pessoas que escrevem tudo em caixa alta, cheio de erros, pior é que se atrevem a corrigir erros alheios quando não tem resposta certa para algum questionamento...
— Não velho, tem aqueles admin. de page ou então uns esnobes, que ficam o tempo todo repetindo a mesmo comentário: “CAIXA ALTA NA INTERNET SIGNIFICA QUE VOCÊ ESTÁ GRITANDO, AQUI NINGUÉM É SURDO!” KKKKKKKKK
— Vixi... Pura verdade! Não paro de rir com estas coisas. Mas o Facebook melhorou muito...
— Sei não... Talvez não tenha melhorado nada... Na boa, acho que parei de seguir tudo que é postagem que aparece. Minha mente está muito seletiva, devo estar saindo do confuso para o conciso. Pode ser também que a minha percepção esteja ficando limitada.
— Você só tem piorado. Aposto na última frase!

LEIA MAIS
WEB 2.0 – II (Fakes)
WEB 2.0 – III (O outro)
WEB 2.0 – IV (Relacionamentos)
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quarta-feira, 23 de julho de 2014

A PRINCESA E A PIMENTA MALAGUETA




A PRINCESA E A PIMENTA MALAGUETA – Altair Ramos
Baseada no conto:
A Princesa e a Ervilha
de Hans Cristian Handersen
Era uma vez...
No reino muito distante da Swordilândia, que ficava muito ao norte de Tão Tão Distante (Vocês devem conhecer), um rei e uma rainha vivendo em um palácio com seu filho, um jovem príncipe, que de tão tímido e exigente, não conseguia encontrar uma princesa para casar-se. Preocupados o casal real enviou o príncipe em uma viagem pelo mundo com um séquito dos melhores, mais valentes e mais lindos (não disse isso), soldados e cavalariços que havia naquele palácio.
O príncipe adorou a viagem, conheceu os quatro cantos do mundo, comidas exóticas, bebidas especiais, hospedagens e bordéis de todas as categorias, não posso deixar de dizer que conheceu e se enamorou de uma infinidade de princesas... Mas, o príncipe não conseguiu encontrar a sua alma gêmea, aquela que o faria arrancar os pés do chão, engasgar, suspirar. Enfim, sempre faltava alguma coisa naquelas belas e cultas princesas, sem contar que muitas delas, de princesa tinham somente a hereditariedade e o título... Aff!
Após uns poucos anos de procura, o príncipe retorna para Swordilândia, o pai ansioso pareava-se com a rainha e com enormes baús contendo o dote da futura nora. Ele acreditava que veria uma exuberante beldade ascendendo da comitiva principesca, esperou, mas nada aconteceu. O rei ficou furioso e lembrou ao filho o seu papel de herdeiro do trono, era obrigatório que o mesmo se casasse.
Após isso, o rei deu uma bronca no filho, disse que tomou conhecimento de muitos dos fatos ocorridos durante a comitiva de busca, alertou que agora ele estava em casa e deveria comportar-se. O príncipe lembrou-se do dia em que defendeu a PL 122 em público, tomando uma grande surra em privado (para largar de ser besta).
Certa noite, debaixo de muita chuva, bateu a porta do palácio uma mocinha maltrapilha e suja, que para espanto da rainha era muito linda. A moça implorou por ajuda, disse não se lembrar do próprio nome, mas sabia que era uma princesa viajando para algum lugar. Algo aconteceu e quando despertou estava sozinha no meio do nada. Andava há quase dois dias e precisava de comida e abrigo. A rainha acolheu a linda mocinha e pediu para a mucama providenciar banho e uma mesa de princesa, pois a mesma estava faminta. Assim foi feito.
Mais tarde a mucama chama a rainha e diz que a moça esta limpa e alimentada, ao que pergunta onde a senhorita deveria repousar, a rainha tendo uma ideia, diz que ela mesma arrumaria o quarto de hóspedes para a suposta princesa desmemoriada. Assim, ela providência um monte de colchões, um monte de cobertores do tipo dorme-bem, milhares de travesseiros e sorrateiramente, coloca uma pimenta malagueta embaixo de tudo. Logo após, chamou a princesa e indicou-lhe o quarto.
Na manhã seguinte, a moça veio tomar café na mesa real, a rainha perguntou se a mesma teve uma boa noite de sono, quando a princesa pedindo desculpas, disse ter tido uma noite horrível, falou que havia algo estranho nos colchões, o que a deixou bastante dolorida, também disse que apesar do frio noturno, sentiu muito calor a noite inteira, havendo momentos em que chegou pensar estar com febre.
A rainha ouvindo o relato deu um cutucão no rei – que não esperava e assustou-se – continuando, elogiou muito a moça e disse que ela deveria ser realmente uma princesa muito especial, mandando a mucama ir chamar o príncipe para que fosse apresentado a hóspede.
Após poucos dias de encontros alegres, furtivos e alguns às escondidas, o príncipe agradando aos pais e eliminando as falações preconceituosas dos línguas de trapo de Swordilândia, casou-se com Eduardo e viveram felizes na medida do possível.
Sobre a pimenta malagueta, dizem que o casal levava consigo pra onde fossem.

terça-feira, 29 de abril de 2014

SOMOS TODOS MACACOS, MALDITOS PRIMATAS



O que esta  questão abraça deveria ir além da discussão semântica e da ordenação social. Uns destacam a atitude como poderosa, sou um destes. O jogador foi impávido ao rebater o ataque com grande ironia, pensamento e ação instantâneos sem a necessidade de medir as consequências. Outros reclamam da campanha por motivos que o próprio preconceito impõe no campo da vontade política antirracial, uma vez que bananas e macacos são símbolos categóricos de atitudes racistas. Alguns outros refutam a campanha por questões de crenças e religiosidade, afinal não somos macacos, somos pessoas.

Não ligo muito para os refutadores, temo que alguns terminem por criticar o jogador pela atitude anticristã, antiteísta. No meu entendimento, uma bola foi lançada para vários rebatedores, não podemos ter a certeza  de onde a mesma cairá. Não sabemos se será rebatida para o campo das teses e antíteses, ou mesmo se permanecerá perdida para sempre, nas órbitas do anedotário do senso comum.
 #SomosTodosMacacos, deveria conduzir-nos  a reflexões mais amplas sobre as nossas origens e sobre os comportamentos sociais. Como evolucionista que sou, abraço a causa com grande entusiasmo, ao mesmo tempo em que tenho a certeza que os argumentos se esvaziem devido a crença numa gênese criacionista. Porém, estes não expõem seus argumentos abertamente, até mesmo por "parecer" que as coisas não se misturam. Embora, tudo sejam galhos e ramos da mesma árvore. Da forma que a campanha é debatida, devido a reação cognitiva que a percepção do substantivo macaco provoca em cada interlocutor, empurrando-o para a banalização, o assunto logo perecera como um escanteio perdido.
Símbolos e conceitos mudam de lugar e de objeto, lembro-me que as torcidas adversárias chamavam o time e a torcida palmeirense pejorativamente de porco, fazendo uma alusão preconceituosa aos italianos que viviam em São Paulo. Nos anos oitenta, num ato de provocação entre torcidas, um porco foi solto em campo, a partir de então o suíno divide tranquilamente o status de mascote do clube com o periquito verde que oficialmente já representava o alviverde. Com isso acabaram-se as  chacotas e humilhações, que não eram direcionadas apenas ao clube, mas principalmente a toda uma classe de estrangeiros, os italianos.
Sugiro então, que a CBF insira uma palma de bananas junto ao distintivo da seleção brasileira (acima ou abaixo do escudo). Melhor ainda, todos os clubes, principalmente as seleções predominantemente de origens africanas, poderiam adotar o símbolo. Até mesmo a FIFA, ao invés de utilizar um lembretezinho em uma faixa, devesse adotar o símbolo Musaceae nos uniformes de todos os escretes participantes da World Cup.
Devemos pensar mais sobre isso, principalmente porque somos feitos da mesma matéria que os macacos. Não somos mais especiais que eles, a ponto de descarregarmos a nossa ira em seres tão empáticos  a nós. Então, se somos capazes de agir desta maneira, é porque de algum modo, nos vemos nestes nossos irmãos terráqueos. E, se não gostamos de alguma coisa em nós, mais do que rapidamente, deslocamos o negativo para outros seres que consideramos inferiores ao que somos. Porque afinal, somos seres humanos.
Se não #SomosTodosMacacos, #SomosTodosPrimatas. É no que acredito!


sábado, 23 de novembro de 2013

Qual a Cor?

 Altair Ramos

Existe alguma cor
É miragem
É ilusão de ótica
É um conceito
Ou preconceito

Qual a cor
Do incolor
Do primarismo
Do vermelho
Do Amarelo
Do Azul

Qual a cor
Do meu pai
Da minha mãe
Dos ancestrais
Do meu irmão

Qual a cor
Por baixo da minha pele
Soro
Plaquetas
Sangue

O que não se apresenta
Sob a luz das aparências
Protege umas verdades
Numa luta persistente
Pouco a pouco revelada
Na evolução e nas ciências

Com o advento do genoma
DNA da mitocôndria
Releitura secular
Nova história a contar
A cor da pele variada
É a gênese geográfica
A abertura dos mapas
O espírito curioso
Descobrindo novas terras
Ocupando e possuindo
Inventando a propriedade
Trabalho e sociedade

Não me meças por favor
Pela cor da minha cor
Esta nossa aparência
Não carimba o caráter
Não traduz capacidades
Não pressupõe dignidade

Qual a cor
Do amor
Da vontade
Da nobreza
Da liberdade
Da humanidade?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

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