sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Aprender e ser



Aprender e ser
Altair Ramos
A capacidade para aprender
É uma benção, uma dádiva
O aprendizado deve ser útil
A mim, aos outros, ao mundo
A licença para ensinar
Exige dedicação, sacerdócio
Educação e compreensão
Deliberação da liberdade
O ouro, a prata
Fascinam ao tilintar
Seus sons temporários
Desgastam-se, acabam
A humanidade, nada é mais eficaz
Que aprendizagem e conhecimento
É preciso mais instrução
Faz-se necessária a imaginação
O lúdico e o natural
Com entrelaçadas mãos
Ao forro do chão, coragem
Cumeeira, é a resignação
Fibra forte e resiliente, sucesso
Igualdade, é somar ao dividir
Muitos precisam de nós
Multiplicando para diminuir
A ignorância é o diabo
Que nos induz e conduz
Para falsas visões no senso comum
Na cegueira enganosa em forma de luz
O grande esplendor
Está em nós mesmos
Somos todos mini deuses
Construindo universos
Conhecer é evoluir
O cérebro crepita
A boca se espanta
O olhar faísca
Nascemos e renascemos
Fazemos o outro nascer
Somos amplos e infinitos

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quem colocou Deus no real não tinha nada mais importante a fazer?



por Carlos Orsi para Folha
Colocar Deus nas cédulas é errado tanto
quanto transcrever "Vai, Corinthians!"

Entre várias que circularam nos últimos dias, a crítica mais comum ao pedido do Ministério Público Federal para que o real deixe de trazer a frase "Deus seja louvado" é a de que essa solicitação seria "falta do que fazer".
Uma objeção curiosa porque, primeiro, suscita a pergunta: e quando a frase foi incluída no dinheiro, será que ninguém tinha nada mais importante a fazer? (O lema entrou na moeda com o Plano Cruzado, que acabou levando o país à falência, em 1987.)
Em segundo lugar, a alegação de "falta do que fazer", ao esquivar-se do mérito da questão, embute um reconhecimento tácito de derrota.
É como se o crítico dissesse que sim, a frase não deveria estar lá, mas será que não temos erros maiores a corrigir antes?
Só que a presença do lema no real é um erro grave — viola o princípio geral do Estado laico e a letra da Constituição — e relativamente fácil de corrigir. Então, por que não resolvê-lo, logo de uma vez?
Confrontadas com essa sugestão, muitas das pessoas que vinham argumentando que o problema era irrelevante e, portanto, não precisava ser solucionado, repentinamente convertem-se em defensoras ferrenhas da frase. O que indica que a alegação de irrelevância não passava de mera afetação.
Um pouco sobre o laicismo: ele deriva diretamente do princípio da liberdade religiosa: se todo brasileiro é livre para ter a religião que quiser (ou não ter religião nenhuma), então é errado que o governo, que representa e é sustentado pela totalidade dos cidadãos, eleja favoritos.
O artigo 19 da Constituição proíbe o Estado de "subvencionar" cultos religiosos. E usar dinheiro para mandar as pessoas louvarem a Deus me parece um caso claro de subvenção.
Da mesma forma que seria errado, porque discriminatório, o governo pôr "Vai Corinthians" ou "Sempre Flamengo" na moeda, mesmo sendo estas as nossas torcidas majoritárias, é errado fazer isso com "Deus seja louvado", "Deus não seja louvado" ou "Satanás é o senhor". Todas são frases que uma vez sancionadas pelo Estado, alienam e discriminam cidadãos brasileiros.
Há ainda quem tema que, à remoção da frase, sigam-se extinção de feriados e a mudança dos nomes de cidades, como São Paulo.
O temor ignora, porém, que os nomes de cidades seculares têm peso cultural e histórico muito maior que "Deus seja louvado" (lema adotado nos anos 1980). Sobre os feriados, quantos mantêm caráter, de fato, religioso? O coelhinho da Páscoa e Papai Noel, por exemplo, não têm culto, exceto nas lojas de chocolate ou de brinquedos.
Há ainda a objeção de que "o Estado é laico, mas não ateu". Sim, o Estado não é ateu! Só que ninguém exige que o real passe a dizer "Deus não existe", mas apenas que o dinheiro pare de falar de Deus e ponto. Confunde-se neutralidade com oposição, o que é tolice ou má-fé.
O medo de que a frase desapareça do real reflete, no fim, uma ótica de disputa de prestígio: nesse enfoque, se "Deus seja louvado" sair do dinheiro, isso significará que "os ateus estão mais fortes", ou que o sentimento religioso perdeu relevância na sociedade, o que algumas pessoas consideram intolerável.
É uma interpretação míope. Há muitos religiosos que consideram a frase inadequada, seja por respeito ao caráter laico do Estado, seja por acreditar que o vil metal, causa de tantos crimes e pecados, é indigno do nome do ser supremo.
Se realmente há algum "prestígio" em jogo, certamente não é o do suposto criador, mas apenas o que alimenta a vaidade de alguns de seus autoproclamados representantes aqui na Terra.

Leia mais em http://www.paulopes.com.br 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dia das Crianças 2012



O PASSALINHO
Altair Ramos

“Passalinho” no quintal
Bica aqui, bica acolá
Num tiu-tiu-tiu
Num piu-piu-piu
Que nunca vai “palá”!

Painho, tem um “voa-voa”
No quintal fazendo assim
Tiu-tiu-tiu, piu-piu-piu
Papai, o ”patainho”
Não “pala” de bicar!

Mainha o “pataliu”
Bica no chão e faz tiu-tiu
Mas não é muito feio
Comer de lá “plá” cá
Cantar de boca cheia?

Tiu-tiu-tiu, piu-piu-piu
O “passainho” no quintal
Não “pala” de cantar
Mas quando chego perto
Ele só sabe se assustar...

Tiu-tiu-tiu, passarinho
Volta aqui meu bonitinho
Tiu-tiu-tiu, seu danadinho
Eu só quero conversar
“Cliança” não pode voar!

domingo, 7 de outubro de 2012

Desestruturação das Ideologias na Política Partidária



 Imagem:  todomarketingpolitico.com
Não tenho gostado dos debates, das falações dos políticos, não há qualquer novidade sendo apresentada pelos candidatos, não ouço nada que possa nos orientar, que não seja a mesma coisa, que não seja o velho mais do mesmo, que possa atingir o coração do cidadão, fazendo-nos vibrar. Poderia ser uma frase de efeito, uma entonação de voz diferente, ou uma proposta embasada no lúdico libertário, ou ainda, carregada de palavras de ordem com teor de luta, com tal eloquência, que ao serem proferidas, pudessem atingir os eleitores e os não eleitores, fazendo-os arregaçar as mangas, tomarem para si as dores do candidato, as dores da sociedade, as dores dos menos favorecidos, que pudessem transformar tais sentimentos em entusiasmo, em revolta política, em protesto social, em voto.
Não há no Brasil, hoje, um debate ideológico, mesmo entre os políticos mais capacitados. Não existe um candidato com a habilidade de fazer da sua campanha um movimento, um candidato que tenha a resposta na ponta da língua, mesmo que repleto de retórica, que traga uma ideia nova, um sentimento novo. É cansativo vivenciar a hipocrisia do denuncismo, a vaidade do "ele não fez, mas eu sei fazer", a soberba da acusação sobre as verbas mal aplicadas, mas que será diferente "na minha" gestão, e a manipulação da fé em favor do poder. A arena política é construída sobre fatos inteligíveis e factoides verdadeiros.
É evidente que há um esvaziamento dos traços ideológicos na prática política, a velocidade e a quantidade das informações, não fazem as pessoas mais inteligentes, mais pensantes. Está de fato, confundindo as pessoas, pois não há tempo mental suficientemente hábil para que se processe tudo o que nos chega. São denúncias, conspirações, ataques, defesas e presunções que afastam a sociedade, o eleitorado, daqueles que pretendem representá-los. Neste jogo de cartas embaralhadas, com algumas marcadas, é difícil fazer uma sequência que vire o jogo sem que o oponente desconheça a cartada, ou que em um dos lados seja reconhecido o melhor jogador. Faltam cartas a mesa ou sobram outras que não fazem parte do baralho.
De certa forma, pode-se dizer que os eleitores, profundamente em seus anseios, ficam tontos com as movimentações do cenário político, mas não ligam muito para o resultado, escolhem pela obrigatoriedade do ato. Pouco interessa quem será o seu representante, seu elo de ligação entre o estado e as prerrogativas entre o "ser humano", o "ser moral" e o "ser "constitucional". A grande massa ainda não percebeu estas evoluções, não se dão conta que os políticos estão a deriva no mar das mudanças da época, que impõem indecisão nas posturas e nos comportamentos. Não sabem qual a melhor ideia a ser defendida, com isso discursam sem alma, se apegam as velhas fórmulas, e tocam o barco cumprindo ordens de um velho manual qualquer.
Existe um caldeirão de ideologias colidindo e sendo engolidas pelo sistema econômico. A regra contemporânea é a exaltação do egocentrismo, promovida pelo neoliberalismo, que modificou a consciência moral, descontrolando o superego, que tende a trabalhar somente as vaidades individuais. Diante deste cenário, um paradoxo se instala na mentalidade dos políticos, pois existem necessidades coletivas que urgem cuidados, contrapondo-se a vaidade humana que resolve seus problemas no campo da produção e do consumo descontrolado. Restando somente o pragmatismo, a lei da vantagem, o falso discurso da prosperidade. É o que é!
 Imagem: wikiteacher.wordpress.com
Texto publicado inicialmente em: Revista Fazer Política
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