A cabeça fervilha louca, não há o que escrever. A tela do monitor brilha em milhões de cores que não percebo, mas estão lá fazendo meus olhos arderem. O teclado pede massagem, as teclas prontas a saltarem. A inspiração pede passagem, indo rápido para outros lugares. Bloco de notas ou word tanto faz. Enquanto penso vou digitando sem critérios, um filme vai passando em minha mente, vejo a violência das ruas, abuso sexual e balas perdidas encontrando alvos de forma desmerecida. Meninos e meninas nos campinhos que pretendem formar craques, no mesmo lugar e em outros becos, sacis quase sem pernas queimam os dedos, a boca e o cérebro. Em ondas vãs estão surfistas nos ônibus e nos trens. Parturientes com braços riscados, hipertensos que sofrem e caem. Operadores e fiscais públicos sem ferramentas, milícias bem armadas. Fóruns e discussões que não servem a nada, políticas públicas bem engendradas por vampiros são articuladas, oportunismos e manobrismos controlam as massas. Sem saber o que escrever, versei longamente sobre um garçom, rebusquei um conto medieval, revi antigos textos, tudo tão fora do contexto, o que detesto protesto, fogem-me as energias ao combate, faltam-me as falas para o debate. E o Brasil a quantas anda? Arrancamos o senador do seu palco, ou derrubamos de uma só vez o teatro? A efervescência só aumenta, no horizonte não existe sustentabilidade, vorazes discursos tecnocratas, mar de lama, anseios do povo jogados num fosso. A boca está seca, a alma encruada, os sentimentos amargos. Fora vagabundos, queremos justiça, transparência, liberdadade. Ficha limpa... Temos navalhas para seus bigodes e barbas.Crédito da Imagem
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