quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Explicações estúpidas e desnecessárias para gente estúpida e desnecessária



Foto: Anderson Fetter/Agencia RBS
 
Um grupo de funcionários contratados em determinada prefeitura do país foi convocado para uma reunião de dispensa do trabalho, a espera foi rotineira, como sempre deve ser em órgãos públicos todas as vezes em que uma autoridade convoca subalternos. Inicia-se a reunião:
Gente quando eu vi aquela lua vermelha da cor de sangue... sempre me disseram que as coisas iriam queimar... nossa depois disso, tudo tende a piorar... Minha avó sempre dizia que aquelas pessoas da bandeira vermelha eram — simulação de sussurro — comunistas, ela tinha muito medo das pessoas do governo, dos poderosos russos, da bandeira vermelha... Agora está lua...
Puta que me pariu e a ti também! Fala sério? Sei que há muita gente idiota e desinformada que cai nestas conversas, mas qualquer ser inteligente que entenda um pouquinho de matemática básica, uma merrequinha sobre fundamentos científicos, e tenha uma noção chula sobre administração pública e de coisas referentes as idiossincrasias do poder representativo, aceitar uma conversa destas não passa de uma ação deliberada para encurtar o papo e ir embora com cara de tudo bem. Sendo isso o que aconteceu.
Até hoje a tarde, eu entendia que a lua de sangue fosse facilmente explicada através da observação dos movimentos celestes e cálculos matemáticos. De nada adianta colocar bacia com água próxima as plantas, pois as mesmas não serão queimadas pelos raios "diabólicos da lua vermelha", um fenômeno óptico derivado de um eclipse noturno. Suas plantas certamente murcharão se você por desespero e pânico deixar de cuidar das mesmas.

A observação acompanhada de cálculos matemáticos é capaz de prever que outro fenômeno como o do dia 27 passado, ocorrerá em 2033. No entanto, jamais será capaz de prever, mesmo que utilizemos ferramentas supersticiosas e falácias nostradâmicas, as atitudes de políticos e gestores públicos. Nem mesmo em mil anos de estudos e pesquisas.
Existe uma crise sim, uma crise planetária que demonstra cada vez mais que a acumulação do capital e a ganância esta destruindo a humanidade. Mas, além disso, existe uma crise que envolve projetos de poder e perpetuação da dominação das massas pelo medo supersticioso em favor da ignorância, da servidão e da passividade que possa promover uma sub existência parca que beneficie diretamente a todos aqueles que concordem tácita e cegamente com a benevolência dos tiranos.
No campo das ideologias, o tom sempre será o da desconstrução, da acusação, da criminalização e da demonizarão da ideologia e do projeto do outro, lançam-se os holofotes em determinadas direções (lua vermelha, bandeira vermelha, estatuto da família, verborragias sobre esforços sobre-humanos), para justificar a própria falta de trato administrativo, as próprias incoerências matemáticas (que não existem em nossa gestão porque somos capazes e competentes, além de termos a certeza da sua eterna compreensão). 

Afinal, tudo o que está acontecendo é fruto de uma crise que será abrandada na próxima campanha eleitoral ou talvez, até a próxima lua sangrenta. Resenha da ópera, a culpa não é da incompetência, não é das estrelas, a culpa é da Lua e do Lula.
Duas horas de espera para receber um aviso que poderia ser feito até mesmo pelo whatsapp. Um grande circo sem esteios, com direito a cobertura fotográfica (esquisitice da porra) para informar que, a partir de agora estamos lhes retirando a lona e também, o pão.
 \º~º/
A título de provocação e esclarecimento selecionei um texto didático, de um site que não trata de astrofísica, somente para que fique perceptível que é permitido a qualquer pessoa promover a redução da amplitude do raio de ação entre a ignorância factual e/ou desonestidade intelectual — uma ou outra, talvez ambas — que se instalam entre o existir e o ser.
Eclipse Lunar   (Texto completo aqui)
 
Um eclipse lunar transforma esse fenômeno (Super Lua) num show ainda melhor. Por mais de uma hora, a sombra da Terra, vai “engolir a lua” conforme o planeta se coloca entre o Sol e a lua. Eclipses lunares ocorrem pelo menos duas vezes por ano, só no século 21 vão acontecer 228 eventos desse tipo. Civilizações como os Incas e os Mesopotâmicos historicamente viam o eclipse lunar como aleatórios e assustadores, quando, na realidade, são fenômenos previsíveis. No entanto, a combinação de uma Superlua com um eclipse é mais rara. O último evento desse tipo aconteceu em 1982 e o próximo vai ser somente em 2033. “É raro porque é algo que uma geração inteira pode não ter visto”, diz Petro. O eclipse total será visível nas Américas do Norte e Sul, Europa, África e partes da Ásia e Pacífico. O eclipse de uma Super Lua é muito raro e aconteceu apenas cinco vezes desde 1900, em 1910, 1928, 1946, 1964 e 1982. O próximo só vai acontecer em 2033.
__

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Literatura: Livro Balé Ralé de Marcelino Freire

https://marcelinofreire.wordpress.com
Balé Ralé* de Marcelino Freire**
Primeiras impressões 
Por Altair Ramos


Peguei o livro Balé Ralé nas mãos da doce Joana, conversamos sobre muitas coisas, escritores, escritos, a pessoa do escritor e a pessoa que escreve. Despedimo-nos, fui ali e acolá, cheguei em casa, abri o livro. Não, não abri, passei algum tempo olhando para aquelas duas pessoas da capa. A Imaginar como eram, o que foram e o que são. O que faziam e como faziam. Isso me levou ao Cretáceo, onde vi um enorme meteoro, após isso fui ao Paleolítico, de lá, fiquei a observar o quanto avançamos até aqui.
Lembrei-me também do seriado Lost, que acompanhei durante oito anos. Tal lembrança ocorreu porque na série havia um casal mumificado pelo tempo, em uma gruta do outro lado da ilha. Debateu-se e especulou-se muito sobre as múmias, até que um dia foi revelado, mas a memória que falha, não consegue dar a certeza, se eram mãe e filho ou um casal de idosos sobreviventes, que se conheceram no voo, que ao explodir, despencou na ilha.
Bem, nada disso tem muita relevância com o Livro de Marcelino Freire, porém minha mente foi levada para estes momentos, passando por Nijinski, Chico Science, coisas e coisas que já se foram. Então, achei que deveria expor o que senti. Mas aquelas pessoas, aquelas, que certamente não podem ser tocadas, lá na Holanda, onde estão expostas, podem ser tocadas aqui na capa do livro, tanto podem ser tocadas, que tive a impressão de ter ficado com as mãos impregnadas de barro, poeira e certo odor putrefato.
Então abro o livro e começo a primeira leitura, Homo Herectus. Uma viagem histórico-paleontológica, regada de insights da TV aberta despertando a curiosidade e o lugar comum. Gostei daquilo tudo, sendo levado com um tom notório de seriedade. Então, estou no final da leitura enquanto ouvia Jimmy Hendrix tocando a sua revolução em “May This Be Love”, chego às duas últimas linhas do texto e encontro um fechamento totalmente intencional e surpreendente. Não colocarei palavrão aqui, e ninguém tem nada a ver com isso.
Marcelino Freire traz para o leitor, aspectos da vida que somente as personagens poderiam conhecer, faz um grande exercício de observação e exposição do âmago das pessoas, em flashes que somente as próprias personagens poderiam explicar.  Ao mesmo tempo, tudo é tão claro. De forma poética e romântica, o autor explora os afetos, humaniza vítimas e algozes, a grande maioria, sempre vítimas. Poe vida e movimento em populares invisíveis e sujeitos passivos que não chegam a ocupar os noticiários mais chinfrins.
                          “E ninguém – até então – tinha nada a ver com isso”.




* BaléRalé - Atelie Editorial, 2003 - 127 páginas 
A obra reúne o que o autor chama de '18 improvisos'. Contos curtos que buscam revelar o estilo do escritor, o de procurar 'palavra dentro de palavra', como o 'ANGU' dentro do 'sANGUe', ou o de misturar o erudito com o popular, aqui representados 'Balé' e pela 'Ralé'. 
** Marcelino Freire nasceu em 1967, em Sertânia, PE. Viveu no Recife e, desde 1991, reside em São Paulo. É autor, entre outros, dos livros Angu de sangue (Ateliê Editorial) e Contos negreiros (Editora Record – Prêmio Jabuti 2006)
Fonte: Google Books

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Pedra

PEDRA
Incêndio, fogo na cabeça
Bamba, bomba, bum
Brasa na boca, fumaça
Correria, grana, mané

A boca que tudo quer
Mata a noção e o brio
Suga a carne e a alma
Pele e osso do imbecil

Tudo em que toca, troca
O veneno enfeitiça o ar
Foge a brisa, viva a bruxa
A mente não para, queda
__Altair Ramos

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dia do Índio - Sim, temos índios!



A ESCRAVIDÃO DO ÍNDIO BRASILEIRO I 
Uma pesquisa de André Pessego 

É estarrecedor, observando esta sinopse destaco alguns termos interessantes como:

1574 - Escravidão Voluntária primeiro acua-se a vítima, que não pode mais circular livremente, uma vez que pode ser capturado ou morto pelos brancos ou inimigos comuns. A maioria não tem mais referencia local ou familiar, faltando total liberdade, a saída é estar onde exista pelo menos comida. Como não ser voluntário?

Proibição da escravização injusta
Acredito que daí tenha se originado o verbete “exceção”. Escravidão justa!!!! (Não é para rir.)

1748 - Resgate
(sequestro) de índiosCúmulo da inversão de valores. Como se resgata uma indivíduo que está onde quer e precisa estar? Antes que alguém alegue que era outra época, informo que sei disso também.

Observa-se que este sempre foi um país de muitas leis de favorecimentos, leis de conchavos, leis de compadres, leis de embelezamento, leis para não serem cumpridas (por alguns).

Tempo de acordar.
Vamos em frente.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...